Crónica invitada: "Como diabo farei uma crónica?"

El día de hoy publico una crónica, escrita en Portugués, para un taller de Crónicas Brasileiras que tomé en el Instituto Cultural Brasil Venezuela de Caracas, con mi amigo y profesor, Lucas Reis, realizado en junio de 2013.

Fue una grata experiencia e iré progresivamente publicando esas crónicas de mi autoría. Espero las disfruten.


COMO DIABO FAREI UMA CRÓNICA?

"Como diabo farei uma crónica?"- Penso nisso enquanto bebo o meu café. 

A crónica deve ser sobre a aula passada e é nesse momento que tento lembrar:  “Aula passada... Aula passada... Ah, é... Me faz lembrar... A crónica me faz lembrar... A crónica me faz lembrar... Porra, não dá!” e volto a beber do meu café.

Continuo a lembrar da aula passada e daquele assunto das crónicas. Agora não vem nada à cabeça e noto que a minha xícara ficou vazia, sem café.  Vou para a cozinha enquanto aquela pergunta continua a andar no meu pensamento: “Como diabo farei uma crónica?” Observo o meu café a encher limpidamente a xícara. Fico imobilizado a olhar o meu café. 

O assunto da crónica me faz lembrar aquele assunto das manias. Agora, falando das manias, não deixo de sorrir lembrando aquele  que acorda às 03h para tomar um duche. “Agora essa: no melhor momento do descanso, alguém tem a mania de acordar e tomar um duche... Essa é que é boa”- Penso devagar, devagarinho.

É uma boa lembrança essa das manias. A minha mania é mais simples: não passar o dia sem beber café. Acho que é uma mania das mais naturais, das mais simples e das mais aborrecidas. Mas, olha, que assunto: Tenho certeza que posso passar o dia inteiro sem comer, que posso passar o dia inteiro sem beber água, porque sei que posso beber café e isso acalma qualquer necessidade. 

Pensando aqui: devia ser ilegal não ter um café na mão cada duas horas. Agora que andamos em tempos de lutas e greves, em tempos de protestos na UCV, eu podia exigir ter uma boa xícara de café por cada aula. Parte do orçamento da UCV devia incluir no artigo 99 da Lei X, parágrafo qualquer um, um orçamento especial, especialíssimo para o café dos professores. O café da EIM devia ter uma ementa completa, completíssima de café. Isto é, se falarmos de café devíamos ter café de todas as partes do mundo: café francês, café brasileiro, café colombiano, café moçambicano, café chinês, se é que houver café na China.

Sei lá... Continuo sentado perante o meu computador a pensar no meu café. Pergunto novamente,: "Como diabo farei uma crónica?" Bebo do meu café mais uma vez. 

Entro nos meus pensamentos: “Café? Nunca tinha feito reconhecimento público de alguma mania. Parece-me que reconhecer uma mania é reconhecer a nossa imperfeição. Mas, se desde criança nos ensinam que ninguém é perfeito, então não é normal termos alguma imperfeição? Segundo a minha mãe, só Deus é perfeito e dava bom com essa teoria se não fosse pelo fato de que eu não acredito em Deus”.

Acho que acredito mais no meu café do que na existência de Deus. Posso olhar o meu café e ver com singular alegria que o meu café parece comigo: O café, tanto como eu, é simples, quotidiano, lógico e até  escuro... Como eu... 

"Como diabo farei uma crónica?" Continuo a pensar nisso enquanto bebo mais um pouco de café. 

Sei lá, a vida é assim, como diria Machado de Assis: "A vida é aquilo que passa enquanto bebemos café".

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